
Hoje acordei sentindo o cheirinho da minha infância em que podia sentar no colo da minha vozinha e ouvir seus conselhos sem ter a minima noção de que me serviriam tanto!
Saudade dos passeios no shopping onde a primeira parada era para a pizza e para o sorvete (só as avós nos entendem rsrs).Onde a chegada das férias era uma verdadeira festa para dar e receber presentes e abraços apertados...e ganhar chocolates escondidos cuidadosamente no guarda-roupas...e conversar ate de madrugada quando já era hora de dormir...
Saudade de receber cartas (bons tempos) carinhosas, que viajavam quilômetros, com o dinheirinho do lanche da escola dentro delas... saudade de um pequeno lanche, ou merenda como dizia ela, ser motivo de tanta festa e animação...
Suadade dói. Mas hoje eu não vou chorar.Vou guardar na intimidade do meu coração, não de criança, mas de mulher feita, mãe e daqui a pouco quem sabe, avó. Porque essa talvez seja a única forma de vivenciar tudo aquilo outra vez!
Aquele velho falatório de mãe:- quando você tiver seus filhos vai saber o que é bom! está longe de ser chantagem barata.
Somente quando nos tornamos mães é que sabemos a real dimensão desse amor, que se traduz, paradoxalmente, em renúncia e prazer!
No dia das mães,que esta linda carta possa ser a reflexão que precisamos interiorizar...
"Amado filho:
O dia em que este(a) velho(a) não for mais o(a) mesmo(a), tenha paciência e compreenda. Quando eu comer e derramar comida sobre minha camisa e esquecer como amarrar os meus sapatos, lembre-se das horas em que passei lhe ensinando a fazer essas mesmas coisas.
Se quando conversar comigo, eu repetir as mesmas histórias, que você sabe de sobra como terminam, não me interrompa e me escute. Quando você era pequeno, para que dormisse, tive que lhe contar milhares de vezes a mesma história, até que fechasse os seus olhinhos.
Quando estivermos reunidos e eu fizer as minhas necessidades, não fique com vergonha. Compreenda que eu não tenho culpa disso, pois já não as posso controlar. Pense quantas vezes, pacientemente, troquei suas roupas para que você estivesse sempre limpinho e cheiroso.
Não me reprove se eu não quiser tomar banho. Lembre-se dos mil pretextos que eu inventava para convencê-lo a tomar banho.Quando me vir inútil e ignorante frente de novas tecnologias, dê-me o tempo que for necessário, e não me machuque com um sorriso sarcástico. Lembre-se que fui eu que lhe ensinei tantas coisas: comer, vestir-se e como enfrentar a vida tão bem como hoje o faz. Por isso, se alguma vez eu não quiser comer, saiba insistir, com carinho. Como eu fiz com você.
Quando conversarmos, se eu me esquecer do que estávamos falando, tenha paciência e me ajude a lembrar. Talvez a única coisa importante para mim naquele momento seja ter você perto de mim, dando-me atenção.
Quando minhas pernas falharem por estarem cansadas, e eu já não conseguir mais me equilibrar, dê-me a sua mão e o seu apoio, como eu fiz quando você começou a caminhar com as suas perninhas tão frágeis.
E se me ouvir dizer que não quero mais viver, não se aborreça. Algum dia você entenderá que isso não tem nada a ver com o seu carinho ou com o quanto eu o amo. Compreenda que é difícil para mim ver a vida abandonando o meu corpo e que é duro admitir que não tenho mais vigor para correr ao seu lado ou tomá-lo em meus braços como antes. Não se sinta triste ou impotente por me ver assim. Não me olhe com cara de dó. Dê-me apenas o seu coração, compreenda-me e me apóie, como eu fiz quando você começou a viver. Isso me dará forças e coragem.
Da mesma maneira que eu o acompanhei no início da sua jornada, peço-lhe que me acompanhe agora, no término da minha. Trate-me com amor e compreensão e eu lhe devolverei sorrisos e gratidão, com o imenso amor que sempre tive por você.
Carinhosamente,
Seu (sua) Velho(a)".
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